Tem filmes que eu só consigo assistir sozinho. Não porque sejam ruins — pelo contrário. São os que mais me afetam.
Existe uma vulnerabilidade em se deixar levar completamente por uma obra. Chorar numa cena que, objetivamente, não é tão dramática assim. Pausar o filme para processar uma ideia. Assistir a mesma sequência três vezes porque algo nela não deixa você ir embora.
Com alguém do lado, você se torna consciente de si mesmo. Você se pergunta se está reagindo 'certo'. Se a outra pessoa está gostando. Se você deveria comentar ou ficar em silêncio.
Mas assistir acompanhado tem o que assistir sozinho nunca vai ter: a experiência compartilhada. Aquele momento em que você olha para a pessoa do lado e ela olha para você, e nenhum dos dois precisa dizer nada porque vocês acabaram de sentir a mesma coisa ao mesmo tempo.
Isso é raro. E quando acontece, é melhor que qualquer cena do filme.